quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

De Restos de Felicidade.


Aos murmúrios e aos prantos...
Aos choros, mais choros e tantos...
Às tardes de suaves chuvas...
Pelos velhos lugares, nas ruas.

E assim se pinta o rosto...
Com as cores das lágrimas
Que face abaixo escorrem,
Ao pretérito e as lástimas

Às flores que morrem
No jardim da esperança
Dos tempos futuros
Dos tempos de criança

Às lágrimas do poeta
Que molham ao leve
O apenas antes papel
Inundando o lago

De pensamentos herméticos
De restos de felicidade
Que ainda sobra no peito
E assim como antes nasceu
morrerá no começo, ao leito.

(acentuação corrigida em 17/04/2009)

Poema em Lá Menor.



A musica criou raízes
No coração vulnerável
Aos encantos, às magias
Das notas e melodias...

E a cada tempo de verso
Soa suave um acorde de Lá menor,
Pela orquestra de pensamentos
E morre ao desfecho do versejo.

Meu Mundo


Já desisti da vida e da humanidade há tempos... Já desisti do meu sonho, ser músico. Mas neste aspecto, completamente e motivadamente. É só olhar o cenário musical atual: Já se perdeu a essência que as notas têm, a beleza que uma letra bem escrita tem ao ser bem encaixada numa melodia bem composta e executada eximiamente por instrumentos reais. Tudo isso foi substituído por sons maquinários e por “letras” de uma frase só que ainda por cima, só tratam de assuntos banais e infames. Afinal não foi só a música que foi substituída por algo podre.

A literatura foi substituída pela internet, e a internet substituiu a face de todos. O amor e a magia que um beijo proporciona, foram substituídos pelo ato insípido de ficar, descartando o sentimento humano, desperdiçando os valores morais e defecando no próprio caráter. A sobriedade e a alegria sincera da vivência foram substituídas pela perfídia das drogas e por suas máscaras. A honestidade foi substituída pela corrupção, traição e manipulação. Os cobertores de estrelas brilhantes e as nuvens claras preenchendo o céu foram trocadas pelo aspecto escuro do mesmo, causado pela poluição, e a poluição causada por nós, seres considerados racionais...

Seres intitulados de seres-humanos. E, se for seguir o significado ao pé da letra de “humanos”, não demonstramos ser, a todo tempo que vivemos. E alias, para ser mais lógico: Não vivemos... Apenas jogamos nossas vidas por terra, e todos sabemos perfeitamente disso. O incrível é saber, e não querer mudar, ou às vezes querer, mas não se esforçar... E também, estamos em tempos de que querer ou se esforçar, não significa nada. E por mais ínfimo que possa parecer, apenas um motivo como esse, já é um pilar para uma pessoa desistir de sonhos, e por ventura, da própria vida.

No meu mundo, a felicidade foi substituída pela tristeza... Mas, no mesmo, há uma única forma de expressar o que sinto da forma que eu bem quiser. Há uma forma de dar todas as cores a uma cor só, dar todos os sabores a sabor nenhum, dar sentimento as palavras e dar as palavras o sentimento, proporcionar vida aos pensamentos, e dos pensamentos a poesia. Incrível, em meio essa podridão toda, eu realmente fico aqui brincando com as palavras e com a vida. Isso para mim é tudo. Isso é a escrita, e a escrita é o meu mundo... E vou viver nele, aproveitando cada segundo de inspiração, enquanto os sons dos tiros e os alaridos ecoam nos céus do seu mundo.

E logo aproveitando todo o contexto e o desabafo: Para Deus aqui deixo meu ultimo pedido: Já que você deu ao nada, o universo. Já que deu ao universo, o mundo. E já que deu ao mundo, todos nós, seus filhos... Eu lhe peço para que com todo esse poder, faça com que seus filhos parem de matar uns aos outros e a si próprios...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Amor


Fez das doces palavras,
o alimento da esperança.
E fez das mesmas,
o desfecho da felicidade...

O sentimento que era antes
inquebrável... "Saudável".
Hoje é um sentimento
em putrefação...

domingo, 25 de janeiro de 2009

Entre mente, e noite.




Os alaridos ecoam aos céus...
Os pensamentos são uivos
Que transpassam a noite,
o luar, e o céu translúcido.

Enquanto muitos dormem, e vivem sonhos.
Na noite emudecida, pincelada à tons escuros:
-Eu me desperto a cada pensamento.
que se deita em meus versos...

As palavras adormecem ao papel
A escuridão me penetra pelos poros
E assim permaneço...
Neste incansável diálogo,
entre mente, e noite.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sem título.

(O texo aqui postado, não é de minha autoria, é de um grande amigo meu, Mário João. E já deixando claro: Apesar dos preconceitos e da ignorância brasileira, é um usuário de maconha e defende a posição dela contra a ilegalização. Mas acima disso, possui os memos sentimentos que eu... Os quais são expostos no seguinte "conto", que narra um fato real. )


Certo dia, fui comprar “planta” numa “floricultura”, localizada no centro da cidade, e o que senti lá dentro, não foi o que eu aguardava antes de entrar. Entrei, após cumprimentar alguns jovens marginais e provavelmente usuários de pedra que estavam sentados à porta. Logo ao entrar, vi o vendedor: Velho, negro, sucumbido, acabado, deitado no sofá. Parecia um morto, mais vivo... Literalmente indescritível. Mal conseguia mexer seus braços e mal conseguia falar, (por estar sem “crack”, ou por estar sob o efeito dele.). Cumprimentou-me, e falou para mim e para os amigos que me acompanhavam que estava sem a “planta”, pois estava um pouco difícil, ele estava internado num hospital devido à alguns “problemas” de saúde. Enquanto ele falava com dificuldade e quase morrendo, eu estava com um mal-estar horrível, talvez pelo cheiro de urina e fezes que estava lá dentro, ou apenas pelo simples fato de estar lá dentro. Ao ver duas crianças que entravam no local, eu me assustei, e sozinho deduzi que eram filhos do velho... Duas crianças, com uma vida pela frente, num ambiente fétido, num ambiente "pesado", num ambiente onde as drogas correm o tempo todo, e num ambiente onde seus pais e parentes entopem o sangue de drogas pesadíssimas na rotina de suas vidas.

Eu comecei a tocar a flauta que estava em minha mão, sem a permissão de qualquer pessoa que estava no local. Por ventura, como eu esperava e desejava, o sorriso das duas pequenas crianças se abriram aos poucos, com os olhos presos em mim, e os ouvidos atentos à melodia. Eles realmente sorriram alegres, mostrando os dentes da boca, e seus olhos brilhavam naquele momento... O sorriso deles não é perpétuo. Mas na minha mente, é... E continuará sendo.

Agarrei os dois pelo braço, e saí correndo pelas ruas, para bem longe daquela podridão, longe daqueles crápulas viciados, daqueles marginais, daqueles perdidos. Cuidarei deles durante o resto da minha fútil vida, para que virem médicos, advogados, ou para que tenham simples empregos, mas tenham uma boa vida, e para que sejam boas pessoas...

Após imaginar esse ato inusitado, voltei à vida real, e fiquei olhando para tudo o que tinha ao meu redor: Paredes caindo, sofás velhos, rasgados e urinados, um velho viciado, rapazes marginais que não esperavam nada da vida, e a vida não esperava nada deles... Até um "cego" choraria diante disso. A minha própria alma lacrimejava... E eu não podia fazer nada pra reverter esse quadro. Só posso viver minha vida fétida, enquanto aquelas duas crianças (como milhões de outras crianças) viram marginais, ladrões, viciados, e morrerão futuramente por ser assim, e por viver assim. Só intumesce minha dor pensar que, essas duas crianças, são apenas mais duas, no meio de tantas outras, na mesma situação, ou ainda muito pior.

Geralmente perguntam-me: "Por que você está aparentemente triste?", "Você tem ‘tudo’, e por que afirma que não é feliz?", "Por que você vive nessa depressão pérfida e desnecessária?". A resposta direta se encontra indiretamente nesse texto, e nos poemas que escrevo. Mas enfim, vamos viver nossas vidas, ora! Dormir em nossas camas, acordar, almoçar, jantar, viver nossos dias dessa vida banal, todos cegos e felizes! Enquanto o mundo se explode e se afunda ao nosso redor...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A Valsa.


As nuvens que pairam desenhando-se ao céu.
As folhas secas são empurradas pelos ventos,
Durante mais um dia, de segundos lentos...
Ao murmúrio melindroso do escarcéu.

O sorriso não-perpétuo da criança
O peido do presidente republicano.
Coisas ínfimas, ou mais preciosas...
Todas dançam a exímia valsa
Que o mundo toca...

Como um beijo gay:
-As línguas se esfregam enlouquecidas,
Barba com barba, boca contra boca...
Harmoniosamente, no ritmo da valsa.

A valsa é rápida, veloz.
Como um tiro, uma bala.
Que atravessa um corpo....
Rasgando o vento, a vida.

A idosa enfastiada reza pra morrer
O feto na mãe torce pra não nascer
E os aqui presentes, dançam...
A valsa que o mundo toca.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Espelho.


Já às insônias da madrugada,
resolvo ir até o banheiro.
Escovo dentes, cabelos, idéias...
E fico me olhando ao espelho...

Olhando eu me olhar...
Paralisado, como quem viu a si próprio.
E continuei
me enterrando
pelas covas
do pretérito...

Banhei meu rosto lívido inúmeras vezes...
E constatei espontaneamente:
-Minha alma é fétida,

meus pensamentos são porcos
E minha cara agora limpa.
...Não deixa ainda de ser suja...

31 de Dezembro

(Foto tirada por mim.)


Vultos luminosos escorriam no céu,
Em meio as estrelas, sobrepondo a lua.
Gritos, explosões, era tudo uma sinfonia
Transbordava (tristeza), euforia...

O coração entrou no ritmo dos pensamentos
Enquanto tentavam me acalmar, suaves ventos.
E os castelo de sonhos que me vi construir,
Parecia desabar inteiramente dentro de mim.

E no momento reconstruía-se outro...
Luzes rasgavam a noite, teciam esperanças.
Não havia mais razão, estrelas lacrimejavam.
Os pés não tocavam o chão, pensamentos voavam.

De repente, tudo pareceu retornar ao normal,
Tudo voltou a ser ínfimo, insípido, banal.
No dia trinta e um de Dezembro...
Construí castelos,
que hoje já não me lembro mais.